Delações premiadas também miram documentos do Ouro Verde

0
10

As delações premiadas firmadas pelo Ministério Publico com três réus do processo sobre o desvio de pelo menos R$ 4,5 milhões do Hospital Ouro Verde, em Campinas, servem também para que o Gaeco tenha acesso a documentos.

De acordo com o promotor Daniel Zulian, a intenção não é só receber a colaboração através dos relatos e citações sobre como o esquema funcionava, mas também detalhar e comprovar os depoimentos através da coleta de provas.

Ronaldo Pasquarelli, Paulo Câmara e Daniel Câmara, apontados como donos da Organização Social Vitale, respondem em liberdade. A colaboração deles está em sigilo, mas o promotor confirma que novos elementos estão sob análise.

O trabalho de avaliação das novas informações, ainda segundo Zulian, requer tempo e é feito de maneira criteriosa. Com tudo o que foi colhido até agora, porém, descarta haver contradições nos depoimentos e provas em posse do MP.

Sem poder revelar muitos detalhes sobre o acordo de colaboração premiada, o promotor do Gaeco garante que os elementos trazidos à tona são coerentes e que a comprovação da veracidade será mostrada no decorrer do processo.

Em depoimento no início de agosto, os réus relataram reuniões nas quais o secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Sílvio Bernardin, teria feito exigências de contratação de pessoal e empresas ao grupo de diretores da OS.

A investigação do Gaeco do Ministério Público culminou em duas operações que resultaram na prisão de suspeitos, entre empresários e agentes públicos, e na apreensão de dinheiro em espécie, computadores, celulares e diversos materiais.

Ao todo, são analisados cerca de 140 eletrônicos e 150 caixas com documentos. Não há prazo para o fim da apuração. A intenção, além de responsabilizar, é reparar os cofres públicos e por isso medidas patrimoniais já foram ajuizadas.