O número de frequentadores desempregados no Bom Prato saltou de 15% para 22,5%. O resultado comprova a crise vivida no estado mais rico da federação e em todo o Brasil.

Em Campinas, no local que oferece refeições a R$ 1, não é difícil encontrar exemplos. Um dos rostos repetidos, que recorrem ao lugar de segunda a sexta, é Camilo Aparecido.

Sem emprego há quatro meses, diz que essa é única opção acessível para se alimentar. A pesquisa é referente a 2017 e foi feita pela Pasta Estadual de Desenvolvimento Social.

O responsável pela secretaria, Gilberto Nascimento, diz que o aumento já era esperado. Segundo ele, a realidade dos frequentadores é percebida desde janeiro do ano passado.

Foram entrevistadas 1.479 pessoas nas 54 unidades. Em média, 28 em cada restaurante. Desse total, cita ainda aqueles que declaram ganhar de 2 a 3 salários, que chegam a 35,9%.

O levantamento anual sobre os usuários aponta ainda outros aumentos no último ano. Os paulistas que declaram ter Ensino Fundamental incompleto, por exemplo, são 30,13%.

Já com Ensino Médio incompleto, o salto foi de 7,31% para 12,18% de 2016 para 2017. Entre os frequentadores com idades entre 25 e 49 anos, a parcela foi de 27% para 41,45%.

Mas a grande maioria é de idosos. Entre os motivos, está a falta de vínculos familiares. O aposentado Constantino Lima vai ao Bom Prato no centro de Campinas há dois anos.

No almoço é servido arroz, feijão, salada, legumes, carne, farinha, pão, suco e sobremesa. No café da manhã, que custa R$ 0,50, é oferecido leite com café, achocolatado ou iogurte. Entre os alimentos, estão pão com margarina, requeijão ou frios e uma fruta da estação.