Gordurinha, o sofrimento transformado em Poesia !

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É provável que poucas pessoas saibam quem foi Waldeck Artur de Macedo. O nome artístico Gordurinha talvez não seja suficiente para esclarecer, mas algumas composições desse baiano foram, e ainda são, interpretadas por muitos cantores. O maior sucesso desse soteropolitano foi, sem dúvida, a música “Chiclete com Banana”, que foi gravada pela primeira vez em 1959 por Jackson do Pandeiro. O próprio Gordurinha, que é o autor em parceria com a mulher de Jackson, deixou registrada a versão dele um ano depois. Gordurinha entrou no mundo da música participando de um grupo vocal que se apresentava numa rádio em Salvador, isso no final dos anos 30, quando ainda era adolescente. O apelido foi uma brincadeira dos amigos devido a magreza, mas o bom humor ajudou na carreira artística, que começou na função de radialista. Gordurinha já havia largado a faculdade de medicina quando tentou a sorte na cidade maravilhosa. A então capital federal concentrava as mais importantes emissoras do país no início da década de 40.

Só que ele não conseguia emprego e ainda ouvia piadas que ridicularizavam o povo baiano. Temporariamente Gordurinha desistiu do Rio de Janeiro e partiu para o Recife, onde teve mais contato com todas as variações da música nordestina.

A experiência mal sucedida no Rio não impediu Gordurinha de voltar nos anos 50, mas dessa vez a história foi diferente, pois ele tinha feito o nome no nordeste, estava compondo e se destacava no humorismo. Todos esses fatores ajudaram nos trabalhos que desenvolveu nas rádios Tupi e Nacional, a mais famosa do Brasil na época.

Embora brincalhão, Gordurinha tinha sensibilidade para criar versos sérios, e isso ficou comprovado quando escreveu, em parceria com Nelinho, um verdadeiro clássico.

A música “Súplica Cearense” revela as dificuldades, o sofrimento e a fé de um povo. Em 2008, o grupo O Rappa, que mistura rock, reggae e outros estilos, se juntou a galeria dos artistas que gravaram a composição, mas a versão mais famosa é a de Luiz Gonzaga, que certa vez disse ao próprio Gordurinha que tinha inveja de não ter sido ele o autor.

 

 

Sofrimento transformado em poesia

 

Muitos sambas escritos por Gordurinha foram cantados pelo carioca Jorge Veiga, mas como no Brasil é difícil encontrar gravações de artistas praticamente esquecidos, vamos confirmar a contemporaneidade do compositor, ouvindo a versão de “Orora analfabeta” feita pelo grupo Exalta samba.

Gordurinha lançou apenas dois discos e alguns compactos entre o final dos anos 50 e o começo dos 60.  A partir do golpe militar de 64 ele saiu de casa e só voltou em 69, poucos dias antes de morrer. Até hoje não ficou claro se ele se escondeu por ter ligação com grupos de esquerda ou se foi por motivos pessoais. A partir da década de 70 a lista de artistas que gravaram as músicas de Gordurinha aumentou com a entrada de Gilberto Gil, Jards Macalé, Fagner, Elba Ramalho, entre outros já citados nessa homenagem.

 

Compositor de prestígio

 

O baiano que nasceu Waldeck Artur de Macedo, e por brincadeira virou Gordurinha, soube, com inteligência e bom humor, transformar as provocações da vida em canções que defendiam o povo e a terra natal dele.

 

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produção

Walmir Bortoletto

edição

Paulo Girardi