Em maio de 2016, a Câmara de Campinas tornou o deputado federal Jair Bolsonaro, à época no PSC, persona non grata no município, depois do parlamentar criticar a atuação do legislativo municipal. A polêmica começou depois da votação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no congresso, quando Bolsonaro homenageou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. A Câmara de Campinas emitiu então uma nota de repúdio sobre as declarações do parlamentar.

Questionado sobre a nota, Bolsonaro chamou os vereadores da cidade de ‘otários e desocupados’. A moção que tornou o hoje presidenciável ‘persona non grata’ em Campinas foi assinada por 27 vereadores, sendo que 12 deles cumprem mandatos ainda hoje. Pelo menos dois dos representantes do legislativo municipal que assinaram a moção contra Bolsonaro, hoje apoiam abertamente a candidatura do ex-capitão: Campos Filho, do Democratas e Edison Ribeiro, do PSL. Para o professor de Ciência Política da PUC Campinas, Vítor Barletta Machado, as mudanças de opiniões fazem parte do jogo político. Porém ele afirma que há uma sensação real por parte da população de que os políticos mudam de ideia conforme a exigência do interesse político.

Os vereadores Campos Filho e Edison Ribeiro fora procurados, mas não responderam a reportagem. Bolsonaro fez sua carreira política no Rio, mas foi registrado e estudou parte de sua vida em Campinas. Na época em que a moção que o tornou ‘persona nos grata’ na cidade, ele também foi procurado, mas não comentou o posicionamento da Câmara Municipal.