O secretário de Governo de Jonas Donizette (PSB) e sobrinho do prefeito, Michel Abrão Ferreira, foi citado em delação premiada relacionada às investigações do caso Ouro Verde, que apura desvios de até R$ 25 milhões do hospital municipal. O autor da delação que cita Michel é Daniel Câmara, que era diretor da Vitale na época em que a OS era a administradora do Hospital Ouro Verde. Os desvios investigados teriam ocorrido durante a gestão da Vitale no Ouro Verde.

Segundo Câmara, Michel Abrão Ferreira teria efetuado a contratação de Mauricio Rosa para um cargo de diretoria na Secretaria Municipal de Saúde para implantar um esquema de propinas que seriam pagas por laboratórios privados.

No depoimento, Câmara disse que “Maurício Rosa foi colocado pelo Michel para resolver essas questões e ajeitar a secretaria de saúde que era deficitária”.

O promotor do Gaeco do Ministério Público, Daniel Zulian, à quem Câmara estava fazendo sua delação, então pergunta: “Como assim, deficitário?”.

E Câmara responde que “o laboratório do município não dava retorno nenhum para o prefeito, retorno para prefeitura”

Zulian então pergunta: “Propina?”.

E obtém resposta positiva de Câmara. “Propina”.

O nome de Maurício Rosa já havia surgido em outros pontos da investigação. Em escutas telefônicas realizadas em maio de 2017, entre o próprio Daniel Câmara e a então presidente da Vitale, Aparecida de Fátima Bertocello, a “Tata”, Maurício Rosa é citado como  responsável por intermediar um “plano B” para o Hospital Ouro Verde. Ele também é citado em conversa entre Daniel Câmara e o advogado Marcelo Scalão, que também participaria do chamado “plano B”

Este “plano B” seria uma forma de a Vitale conseguir verbas públicas e solucionar problemas financeiros sem ter de apelar à justiça. Na época, o hospital passava por dificuldades financeiras.

O Secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de Campinas, Wanderlei de Almeida, o Wandão, refuta as acusações. Ele afirma que Maurício Rosa foi contratado por critérios técnicos, sem indicação política. “O Maurício ele vem para a prefeitura por uma decisão curricular, havia demanda no departamento administrativo, ele foi escolhido por decisão curricular, sem vínculo partidário ou com alguém do governo, ele passou por uma ‘peneira’ rigorosa para ser contratado.”.

Wandão refuta a acusação de que Maurício tenha implantado um esquema de propina à mando de Michel Abraão Ferreira. “A Prefeitura a partir do momento que ela passa a gestão do Hospital para a Vitale ela não contrata, quem contrata é a própria Vitale. Se o Daniel esteve na prefeitura uma ou duas vezes foi para tratar do assunto da sub-rogação”. A sub-rogação, no caso, seria em relação à uma dívida que a antiga administradora do Hospital Ouro Verde, a SPDM, teria com funcionários do hospital.

A delação de Câmara em que ele fala sobre Michel Ferreira e Maurício Rosa foi realizada em abril deste ano, e veio a público nesta semana. Parte da delação segue sob sigilo de justiça, pois nela foram citadas pessoas que tem direito ao foro privilegiado.