O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, voltava de uma palestra realizada em Campinas no início da tarde desta segunda-feira quando o helicóptero em que estava sofreu um acidente. Ele e o piloto, Ronaldo Quattrucci, de 56 anos, morreram depois que a aeronave colidiu contra um caminhão que trafegava pela Rodovia Anhanguera, na altura do km 7 do Rodoanel.

O condutor do caminhão, João Adroaldo Tomackeves, de 52 anos, teve ferimentos leves, mas precisou ser hospitalizado depois que passou mal ao prestar depoimento.

Boechat participou de um evento para funcionários da companhia farmacêutica Libbs, no qual entrevistou o presidente da empresa por cerca de uma hora sobre ética no trabalho. Participantes da convenção publicaram imagens que mostram o apresentador em um palco do Royal Palm Hall, no bairro Jardim Novo Califórnia, em Campinas.

Em um dos vídeos da palestra publicado nas redes sociais, ele fala ao dirigente da Libbs sobre o que considerava uma mudança de perfil e comportamento do povo brasileiro. A entrevista aconteceu no início do evento. Depois disso, o helicóptero partiu para a Capital Paulista. Assim que a morte foi confirmada, a programação da convenção foi suspensa.

A Libbs foi procurada pela reportagem e pela produção para comentar a participação de Boechat. Em frente ao local da palestra, ninguém falou com a imprensa. Um comunicado chegou a ser prometido, inclusive pela assessoria de imprensa, mas nenhuma informação sobre o convite, ou sobre a contratação do serviço aéreo foi enviada.

Já o Grupo Royal Palm Hotels & Resorts emitiu nota na qual “lamenta profundamente a morte do jornalista Ricardo Boechat” em acidente de helicóptero. No texto enviado via assessoria, afirma que “Boechat era um dos principais âncoras do rádio e da TV do país e sua perda é irreparável para o jornalismo brasileiro”.

Além disso, também confirma que “o jornalista fez sua última palestra em encontro realizado por um cliente no Centro de Convenções Royal Palm Hall”. Porém, alega que “mais informações devem ser solicitadas diretamente à assessoria da empresa responsável pelo evento”.

O jornalista era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM e colunista da revista IstoÉ. Ele ainda trabalhou nos jornais “O Globo”, “O Dia”, “O Estado de S. Paulo” e “Jornal do Brasil” e foi comentarista no Bom Dia Brasil, da TV Globo, na década de 1990.

Ele ganhou três vezes o Prêmio Esso, um dos principais do jornalismo brasileiro. Filho de diplomata, Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires. O pai estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores na Argentina.