O ataque que matou 10 pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, no dia 13 de março expõe o descontentamento e a violência presentes no ambiente escolar. A afirmação é da psicóloga e professora da Unicamp, Angela Soligo.

Para a especialista, a motivação dos dois autores, de 25 e 17 anos, também tem relação com a estrutura deficitária da educação pública. Por isso cita a série de ameaças surgidas em diversas escolas do País após a repercussão do massacre.

Questionada sobre os reflexos de fatos extremos como esse no cotidiano de alunos e professores, principalmente na rede pública de ensino, a psicóloga é taxativa e entende que o temor de que se repita é normal nos primeiros dias.

Para a docente da Unicamp, a questão não é só discutir o risco real de outros ataques, mas sim debater a segurança, o comportamento e a insatisfação dentro das instituições a partir das diversas reações geradas dentro das próprias salas.

Enquanto o ano letivo continua de maneira normal na maioria das escolas do estado de São Paulo, a unidade atingida pela tragédia reabriu as portas com atividades de acolhimento e atendimento psicossocial e especializado.

No último dia 19, quase uma semana após o massacre, um adolescente de 17 anos foi apreendido pela Polícia Civil. Ele é suspeito de ajudar a planejar a ação em Suzano. Um dos assassinos matou o comparsa e, em seguida, se suicidou.