Da porção de 12,5 gramas de fibras a cada mil calorias, recomendada atualmente pelo Ministério da Saúde, os adolescentes de Campinas ingerem 6,4 g, ficando abaixo da média nacional, de 7,6 g. O resultado foi captado em uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp defendida em março deste ano e que entrevistou 891 jovens de 12 a 18 anos do município.

A orientação foi feita pela pesquisadora da área de pediatria da universidade, Daniela de Assumpção, que diz que o trabalho mostra ainda que o consumo de fibras é baseado em alimentos ultraprocessados. Produtos como pães de pacotes, achocolatados e biscoitos representam 25% das fibras ingeridas por pessoas dessa faixa etária, o que comprova que as refeições são insuficientes e de má qualidade.

A recomendação é que as fibras sejam provenientes de alimentos in natura. E por isso o ideal é que haja costume no cotidiano das famílias, tanto nas compras diárias, semanais, ou do mês, quanto no cardápio. A dica é que os pais sejam os responsáveis por preparar o almoço e o jantar e ainda incluir frutas na rotina alimentar, já que a tendência é que os adolescentes substituam itens e pratos tradicionais.

As fibras são classificadas em dois grupos. As solúveis contribuem para a redução dos níveis sanguíneos de colesterol. Já as insolúveis retardam o esvaziamento gástrico, promovendo maior saciedade. Neste aspecto, a pesquisa mostra que as meninas apresentaram maior ingestão total e solúvel e que jovens com melhor nível socioeconômico tiveram maiores índices de ingestão de fibra solúvel.