O primeiro quadrimestre de 2019 foi o que registrou o maior número de mortes de motociclistas em Campinas nos últimos quatro anos. De janeiro à abril ocorreram 21 mortes de condutores e ocupantes de motocicletas, o maior número para o período na cidade desde 2015, quando foram registradas 22 mortes. Os dados são do Infosiga, o Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo.

Os números vinham em queda desde 2016, quando foram registradas 18 mortes no período, mesmo número registrado em 2017. Em 2018, nova queda: 15 mortes entre janeiro e abril.

Um dos fatores que podem ajudar a explicar esta alta de 40% registrada em 2019 em relação a 2018 é o crescimento do número de pessoas trabalhando com motocicletas para realizar entregas, especialmente após a chegada e popularização de aplicativos de entrega de alimentos, aumentando o número de motociclistas no trânsito.

É o caso de Bruno Dias, que contou que anda de moto há muitos anos, mas que somente há três meses deixou de trabalhar como vendedor para se dedicar às entregas com uso de aplicativos. “É um serviço independente, onde você trabalha por conta e está dando muito resultado”. Perguntado se teme sofrer acidentes, ou se já sofreu, ele respondeu. “Com certeza, já, mas a gente tá sempre na cautela, respeitando as leis de trânsito, mas sempre está sujeito (…) a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”, afirma.

Para o empresário Geraldo Curiari, que trafega de carro pelas ruas de Campinas, há muitos motociclistas que não respeitam as normas de segurança no trânsito. “O corredor para eles é pista, ultrapassam pela direita, não respeitam, infelizmente não respeitam. Talvez seja por causa da atividade deles, pressa também, mas são muito irresponsáveis”.

Já Renato Blumental, que há duas semanas trabalha com entrega de produtos solicitados por aplicativos, afirma que o desrespeito se dá também por parte dos motoristas de outros veículos, como carros, caminhões e ônibus. “O pessoal não respeita, meio que nem ligandoipara motoboy, acidente é ‘sempre culpa nossa’. O mais perigoso para mim é no Centro, que não dão seta para entrar…”

Mas ele reconhece que há imprudência de parte dos motociclistas. “Tem dos dois lados, nunca é um lado só que tá certo, tem motociclista que abusa, faz coisa errada, empina, faz coisa que não deve saber. Mas acho que a maior parte da imprudência em acidentes é o ponto cego na verdade, as vezes o carro nem vê e acaba te derrubando sem intenção”.

Dentre todas as categorias existentes no Infosiga, a de motociclistas é a que registrou maior número de mortes, seguida dos pedestres, com 17 acidentes fatais, ocupantes de automóveis, com cinco mortes, ocupantes de caminhões, com duas pessoas que faleceram em acidentes, e ciclistas, com uma morte.

Há ainda uma morte sem informações disponíveis, totalizando 47 mortes no trânsito de Campinas entre janeiro e abril de 2019, o maior número para o período em três anos, já que em 2018 foram registradas 39 mortes, e em 2017, 43 mortes no período.