Estudantes e professores participaram de um ato realizado no Centro de Campinas, na manhã desta quarta-feira, 15, contra os cortes do Governo Federal na educação. Alunos do ensino médio, técnico, e superior, tanto da rede pública quanto da rede privada de ensino, marcaram presença no protesto.

Segundo anunciado inicialmente pelo próprio Ministério da Educação, o bloqueio de verbas das instituições de ensino federais chegaria a 30%, sendo válido para as todas as universidades e institutos federais.

Posteriormente, o ministro da educação, Abraham Weintraub, afirmou que não há corte de verbas, e sim um contingenciamento, e que o percentual correto é de 3,4% do orçamento total das universidades e institutos federais, pois o corte seria somente nas verba para despesas discricionárias, ou seja, despesas não obrigatórias, como pagamento de serviços prestados às universidades, sem afetar, por exemplo, a folha de pagamento. O valor retido chega a R$ 1,7 bilhão.

Milhares de pessoas entre, estudantes, professores, sindicalistas se reuniram no Largo do Rosário a partir das 9h da manhã. A Polícia Militar estima que pouco mais de mil pessoas tenham participado do ato. Já os organizadores falam em 6 mil pessoas. Por volta de 11h30 os manifestantes realizaram uma passeata por vias do centro da cidade, como a Francisco Glicério, causando grande impacto no trânsito.

Presente na manifestação, o Professor da Rede Municipal de Campinas, Andrei Campanini, afirma que a educação é o pior lugar para que o governo federal realize contingenciamento de gastos, e afirma que há impactos também no ensino básico. “Eu acho que se ele está querendo contingenciar gastos de educação seria o pior tipo de dinheiro que ele poderia tirar do contribuinte, onde o retorno é mais rápido e mais importante”.

Rafael Almeida é estudante do curso técnico de Informática integrado ao Ensino Médio no Instituto Federal de São Paulo, o IFSP, única instituição federal de ensino em Campinas. Segundo ele, alunos carentes recebem bolsas para conseguirem seguir estudando no IFSP, e teme que os cortes acabem atingindo este tipo de benefício.

O Estudante de História da PUC Campinas, Gabriel Santos, afirma que apesar de os cortes serem no ensino público federal, haverá impacto até no ensino particular. “Muitas das pessoas que estão lá estão fazendo licenciatura, muitas pretendem continuar na pesquisa e isso afeta diretamente a gente”.

A diretora Diretora Estadual da Apeoesp,  Sueli Oliveira, diz que cortes na educação podem gerar resultados negativos, como o aumento da criminalidade. “Quando você não investe em educação, nós entendemos que no futuro você vai ter de investir em presídios, em ‘Fundação Casa’, nós não queremos isso para nossos jovens”.

Em viagem aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que  não gostaria de bloquear verbas da educação, mas o fez porque precisa, pois assumiu o país destruído economicamente. Ele afirmou ainda que não haveria como cumprir a lei de responsabilidade fiscal sem o contingenciamento, e chamou os manifestantes de ‘idiotas úteis’ e ‘massa de manobra’.