A suspensão dos contratos com laboratórios públicos nacionais deve tirar de circulação 19 medicamentos que atualmente são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. A medida, que faz parte de uma reestruturação administrativa do Ministério da Saúde, pode prejudicar o tratamento de pessoas que sofrem com doenças graves, como o câncer, mal de Parkinson, hepatite e doença de Crohn. Além disso, na lista de medicamentos que terão a distribuição gratuita suspensa também está a vacina tetraviral, contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora. O grande problema é que essas drogas são caras.

Para se ter uma ideia, a adalimumabe, usada para o tratamento da doença de Crohn, e o Etanercepte, usado no tratamento de artrite reumatoide grave, têm custo médio de R$ 08 mil. O Sofosbuvir, usado por pacientes com hepatite C crônica custa R$ 44 mil e a Alfataliglicerase, usada em quem sofre com a doença de Gaucher, tem tratamento estimado em R$ 138 mil por ano. De acordo com o médico do Centro de Oncologia de Campinas, André Moraes, é comum que contratos sejam revistos quando há mudança de governo. Porém, ele entende que há um erro estratégico quando essas análises interrompem determinados serviços, sem que uma alternativa seja apresentada.

O Ministério da Saúde informou que estão em fase de suspensão 19 Parcerias de Desenvolvimento Produtivo. A etapa atual permite que os laboratórios públicos apresentem medidas para reestruturar o cronograma de ações e atividades. Para garantir o abastecimento da rede, o Ministério da Saúde vem realizando compras desses produtos por outros meios previstos na legislação. A medida, portanto, não afeta o atendimento à população. Procurada, a secretaria de saúde de Campinas informou apenas que não vai se manifestar sobre a questão.