Menores suspeitos de agredirem garoto próximo à Hípica são encaminhados à Fundação Casa

Dois dos três adolescentes que participaram de uma emboscada contra um colega, em frente ao clube da Hípica de Campinas, já foram internados na Fundação Casa. Um terceiro adolescente, que também teria participado da agressão, passou mal e teve que ser encaminhado ao hospital de clínicas da Unicamp.

O encaminhamento deles para a Casa Campinas na Vila San Martin e para a unidade Amazonas que fica na Vila Georgina, aconteceu na manhã desta sexta-feira. A Justiça determinou que eles ficassem em unidades separadas. O terceiro adolescente está sob escolta da Polícia Militar num leito do HC. Ele teria tido uma crise de ansiedade e está em tratamento. Uma audiência na 3a Vara Criminal de Campinas já foi agendada para a próxima segunda-feira, dia 23.

A determinação da Justiça pela internação ocorreu nesta quinta-feira, quando o juiz da 3ª Vara Criminal, Nelson Augusto Bernardes, acatou o pedido do Ministério Público. 

A justificativa é para facilitar a realização das visitas domiciliares necessárias à confecção dos relatórios, bem como o próprio acompanhamento da medida socioeducativa pelos pais ou responsáveis. A internação será por 45 dias. O caso corre em Segredo de Justiça.

O juiz alega também que a internação se faz necessária para garantir a integridade física dos adolescentes agressores diante de tamanha repercussão, bem como da vítima, para que não seja, novamente, intimidada fato esse que já ocorreu depois das agressões. 

Na decisão o juiz cita o relato da vítima de que pouco depois de ser agredido, um dos garotos enviou mensagem alertando para ele não frequentar os mesmos locais dos três adolescentes. 

Ainda no relatório, o juiz também cita o depoimento de um dos agressores à Promotoria de Infância. Nele, o garoto relata que o pai de um dos adolescentes questiona, durante o percurso até a casa da vítima, se eles não estão com uma faca. Depois da agressão, o mesmo pai indaga aos três: “Vocês deram facada nele?”. 

O caso aconteceu em 2 de setembro passado. A vítima foi espancada na porta de casa, abordada em emboscada pelo trio. Foram desferidos pelos agressores vários socos e pontapés, inclusive quando ele já estava caído no chão.

Em seguida, quando conseguiu levantar foi perseguido e agredido novamente. Ele acabou socorrido pelo Samu e precisou ficar internado depois de passar por cirurgia em função de várias fraturas.

A defesa do menor JP informou em nota que não pode concordar com a decisão da Justiça. Apesar do respeito para com o magistrado, a decisão afronta não somente posição das Cortes sobre o tema, como também os princípios do ECA-Estatuto da Criança e do Adolescente. A internação é medida excepcional, e as diversas medidas socioeducativas seriam suficientes.  Os argumentos invocados não se sustentam, sobretudo porque se baseiam em retórica pouco convincente. O menor tem vida pregressa irretocável, estuda, não apresenta periculosidade alguma, e não pode um fato isolado comprometer irreversivelmente seu futuro. 

A defesa de JP informou também que ingressará com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo e está convicta de que a ilegal decisão de 1º grau será prontamente revertida.

Já o advogado Alexandre Sanches Cunha disse que decidiu fazer a defesa por vontade da família em esclarecer a verdade e a do adolescente em querer reparar o dano. Ressaltou que o garoto foi espontaneamente conversar com a promotoria, apresentou nova versão dos fatos e, agora, aguarda a oitiva dele, que a posição dele  é diferente dos demais. A defesa do terceiro adolescente não foi localizada.

Investigação Paralela

O advogado criminalista José Pedro Said Júnior, pai de um dos menores acusado pela tentativa de homicídio, também é investigado. A polícia apura a participação de Said no crime. Segundo a versão da família do menor agredido, o caso teria contado com a participação do pai de um dos supostos menores agressores. Said teria levado os adolescentes no carro dele ao local da emboscada e teria assistido a agressão.

A Defesa do advogado repudia acusações e que as imagens que captaram as agressões mostram o desespero do pai ao perceber o ocorrido.